Entrevista -Abril de 2010

Luís Pereira analisa sete meses de coordenação

«Mentalidade está diferente»

 

Numa altura em que completa sete meses na coordenação do nosso clube, Luís Pereira “abriu as portas” do seu gabinete ao Sítio Oficial. Numa grande entrevista onde aborda o antes, o presente e, mais importante, projecta o futuro. Para já, e com mais três meses de trabalho pela frente, sublinha que os «avanços são positivos» não escondendo a ambição de ajudar a tornar o Juventude Gaula numa marca de «referência Regional».

 

 

Sítio Oficial (SO) – Chegou ao clube à sensivelmente sete meses, que balanço faz, como coordenador, do trabalho já realizado?

 

Luís Pereira (LP) – Faço um balanço extremamente positivo. Constato com satisfação que o clube apresenta hoje significativas melhorias a diferentes níveis no futebol nomeadamente, a nível dos recursos materiais, humanos e sobretudo a nível logístico. Reconheço que quando iniciei esta etapa – absolutamente nova na minha vida – não estava à espera do tamanho do desafio que se me apresentava. Relembro que na altura, a minha entrada coincidiu com o início da época desportiva e o “cenário” não era fácil: ausência de campo para treinar, falta de jogadores em alguns escalões de base, dificuldades nos transportes, exames médicos e inscrições para realizar, etc.

Felizmente, a estrutura do clube teve a capacidade de solucionar essas situações, conseguindo avanços significativos. Hoje, o cenário é bem mais animador. Existe uma estrutura bem definida, com mais recursos humanos; melhorias a nível logístico, através de uma plataforma interactiva que disponibiliza-mos na internet; um aumento significativo de atletas em todos os escalões de formação, mais locais e meios para dar mais e melhor qualidade ao treino; recursos humanos mais preparados e sobretudo, com uma mentalidade diferente.

 

Um problema chamado

…transportes

 

SO – Que aspectos gostaria de ver melhorados até final da presente época?

LP – Honestamente, o clube ainda tem um longo caminho a percorrer, para se tornar um clube de referência no contexto futebolístico Regional. Como disse, após um exaustiva análise diagnóstica em termos técnicos, e não só, constatei diferentes problemas a diferentes níveis. A mais “gritante”, na minha opinião, prende-se com a dificuldade ao nível dos transportes. É a “peça” que tem “entravado toda a engrenagem” do futebol. Depois, e no âmbito desportivo, entendo ser fundamental inverter a “pirâmide”. Ou seja, aumentar em termos quantitativos e qualitativos o número de jogadores, fundamentalmente nos escalões iniciais ou de base; criando mais equipas ao nível dos primeiros escalões de formação (escolas e infantis).

Outro aspecto fundamental, é melhorar a política de captação de jogadores, “explorando” melhor os atletas da terra; sem nunca esquecer as outras áreas onde o clube tem sido bem sucedido. Uma medida que ajudaria a rentabilizar melhor os recursos financeiros.

Depois, implementar, de uma vez por todas, a tão propalada Escola de Futebol, criando mais e melhores recursos, não apenas humanos mas também financeiros.

Investir na qualidade dos seus recursos humanos, aumentar e diversificar os protocolos de cooperação com outras entidades – não apenas com as entidades oficiais, mas também privadas –, continuar a estabelecer protocolos com a Secretaria dos Recursos Humanos, no sentido de obter apoios para continuar a ter mais recursos humanos nos seus quadros, etc.

 

SO - Um dos pontos que considerou fulcral logo na sua entrada para a coordenação técnica, foi a adopção de um modelo de jogo comum para todos os escalões. Qual o modelo escolhido e porquê esse modelo?

 LP - Pois o modelo…! Vamos por partes. Primeiro, gostaria de salientar a importância da implementação de um modelo de jogo num clube. Depois, poderia falar dos aspectos mensuráveis do mesmo ou seja, o que lhe dá “corpo”.

Relativamente à primeira questão, gostaria de comparar a importância da existência dum modelo de jogo num clube, como o “ar que respirámos”. Simplificando, é uma necessidade e uma inevitabilidade. Trata-se do principal meio que permite que um clube possa crescer, se desenvolva e “colha frutos”. Estou a falar obviamente na conceptualização e implementação de uma filosofia de clube assente na construção de um modelo de jogo. O objectivo é estabelecer um conjunto de linhas gerais e especificas que procurem direccionar este clube numa trajectória ascendente. Numa primeira fase é criar um documento, um projecto, que orientará toda a actividade pedagógica metodológica e institucional que permita que o clube atinja os objectivos propostos. Pois os objectivos… mas primeiro é necessário defini-los para que todos possam ir ao encontro dos mesmos.

Assim a determinação e caracterização do modelo de jogo por parte de todas as partes envolvidas no clube, possibilitará a elaboração de um quadro de referências que permitirá direccionar de forma coerente e séria todo o processo de formação.

Na parte que me diz respeito, é criar um conjunto de directrizes que permita que todos os jogadores em todos os escalões de formação se identifiquem com uma determinada forma de JOGAR, que cada um individualmente e todos em conjunto saibam o que fazer em todos os momentos do jogo. Ou seja, criar uma ideia de jogo que seja consensual com a qualidade dos atletas e com os objectivos do clube e que permitam o desenvolvimento integral do atleta, para que, possam render no escalão que obviamente terão que render, que é no escalão de seniores!

Depois, e relativamente à segunda questão, que tem a ver com os conteúdos que lhe dão corpo ao Modelo de Jogo, gostaria de dizer que para mim, na minha cabeça, estão perfeitamente definidos contudo, prefiro mencioná-los em sede própria  e fundamentalmente, em colaboração com as pessoas que os irão por em prática, neste caso os treinadores. Gostaria de frisar que um modelo de jogo, nunca está terminado, e não é uma coisa fixa ou estereotipada, deve estar sempre em perfeito desenvolvimento, de acordo com as reais capacidades/defeitos dos jogadores do clube.

  

«É preciso que todos

dêem o seu máximo»

 

SO - No que diz respeito ao futebol sénior, pelo que tem acompanhado, até onde acredita que poderá chegar esta equipa?

LP - Acredito que se dependesse exclusivamente desta equipa-técnica e jogadores poderíamos chegar muito mais longe. Em jeito de balanço, considero que tem sido uma agradável surpresa. Mas mais surpreendido estou com a atitude da Direcção do clube, que não se tem deixado vislumbrar com estes resultados desportivos e tem mantido a mesma política de apoio aos escalões de formação sem esquecer obviamente a equipa sénior. Desde já uma palavra de agradecimento à equipa técnica que lidera este projecto, pela atitude, ambição e sobretudo pela humildade que tem sabido transmitir aos jogadores/equipa/clube no sentido de os transportar para outro nível de qualidade mais coincidente com os pergaminhos do clube. É esta ambição, e este querer que eu gostaria de ver transbordar para os outros escalões de formação.

Penso que para este clube poder “dar o salto” e se poder afirmar no panorama do futebol regional tem que fazer este crescimento em termos de mentalidade. Acreditar que é possível desde que todos dêem o máximo em prol do clube.

 

Surpreendido com..

.. os atletas

 

SO - Para além de coordenador é também treinador da equipa de infantis? Que trabalho tem sido desenvolvido?

LP - Honestamente não estava à espera desta performance dos atletas/equipa, tem sido um privilégio trabalhar com este grupo e constatar a evolução destes atletas a todos os níveis. Apesar de algumas limitações ao nível qualitativo e quantitativo em termos de atletas, o mesmo não tem acontecido na vontade, na garra, na atitude, no empenhamento dos mesmos. Os resultados desportivos tem sido de acordo com o espectável, ou seja bons, mas o que mais me surpreende é a forma como os jogadores disputam cada jogo e cada resultado, acreditando que são capazes de os vencer, não tendo qualquer receio de enfrentar qualquer clube, mesmo que seja de maiores dimensões. Não é à toa que estes jogadores têm sido sondados por clubes de maior dimensão… Este grupo de atletas apesar de serem pouco experientes, ensaiam já, aquilo que deverá ser o estereótipo de jogador deste clube, ou seja, devem ser humildes, ter ambição, não ter receio do confronto e trabalhar cada vez mais para poderem evoluir em termos pessoais e profissionais. Como dizia um enorme vulto ligado as estas lides do Futebol, Manuel Sérgio “…o caminho, faz-se caminhando…” Qualquer jogador que espera vir a ser bem sucedido nesta área tem obviamente que percorrer um enorme caminho, que só poderá ser favorável de acordo com os pressupostos que enunciei anteriormente.

 

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Não se assustem, não vou falar do novo acordo ortográfico mas sim da Formação.

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