Objectivos não foram atingidos
Insatisfação! É este o sentimento de Marco Freitas, treinador da nossa equipa de futsal, na hora de fazer o balanço à época desportiva agora finda. O facto de o clube ter andado com a “casa às costas” e algumas arbitragens tendenciosas, são alguns dos motivos apontados por Freitas como fundamentais para a não consecução do objectivo delineado: subida de divisão. Ainda assim, recorda, «fizemos, em termos pontuais, a melhor época de sempre».
Sítio Oficial (SO) - A equipa concluiu a época no oitavo lugar, com 22 pontos. Satisfeito com a classificação?
Marco Freitas (MF) - Obviamente que a equipa-técnica está insatisfeita com a classificação. O nosso objectivo interno era subir de divisão, o externo, era ficar a meio da tabela. Não conseguimos nenhum desses objectivos e por isso, não podemos estar satisfeitos. Os próprios jogadores sentiram, no final do campeonato, que tinham valor para dar muito mais e que perderam pontos de forma estranha e incompreensível.
Temos, contudo, um grupo forte, unido, e que nesta altura entende melhor a modalidade e as suas vicissitudes. Apesar das propostas para saírem para outras equipas mais fortes, o núcleo duro vai manter-se na equipa.
Sem esconder a má época, fizemos, em termos pontuais, a melhor época de sempre!
SO - Esta época, assumiu-se, por parte da Direcção e equipa-técnica, o objectivo de subida. Na sua opinião, foram objectivos demasiado ambiciosos?
MF - Os objectivos não foram ambiciosos porque andamos a primeira volta a lutar pelos primeiros lugares e a praticar o futsal mais vistoso de toda a segunda divisão. Assumo, sem complexos, que fomos a equipa que melhor futsal praticou, mas que ainda não tem competência para ler, perceber e dispor-se em campo conforme aquilo que o treinador pede e o jogo manda. Há jogadores que pura e simplesmente não conseguem reagir de uma postura defensiva e de saída rápida para contra-ataque, para uma postura pressionante, de forma a ganhar a bola rápido e depois colocá-la a circular na movimentação trabalhada. Quando o fizermos, seremos campeões.
Mais. Na última jornada do campeonato, a equipa sofreu um golo de bola parada porque a barreira mexeu. Isto aconteceu várias vezes em toda a época apesar dos jogadores já terem experiência. Essa mudança de postura tem de partir deles, ou então o plantel tem de ter profundidade e qualidade para que fiquem de fora.
Penso contudo que evoluímos muito nesse sentido e que estaremos melhor preparados para atacar a próxima época com muita ambição, mas acima de tudo, cientes de que o trabalho nos vai levar a bom porto.
Subir de Divisão
não era absurdo
SO - Depois de uma primeira volta de bom nível (concluída no quarto lugar, com treze pontos), na segunda volta notou-se um menor rendimento pontual. A que se deveu?
MF - Os resultados alcançados na primeira volta comprovam que o objectivo de subir de divisão não era absurdo. Contudo, estes jogadores não estavam habituados a lutar por um objectivo ambicioso e penso que acusaram a pressão, apesar do trabalho que foi feito a esse nível.
A segunda volta foi péssima acima de tudo pela sequência de jogos seguidos a perder, cinco, onde em todos eles estivemos a ganhar e não conseguimos suportar a pressão do adversário. Não tivemos a força mental necessária. O “ponto chave” da má segunda volta foi a derrota com a Francisco Franco, no início da segunda metade do campeonato, quando ainda tínhamos o objectivo de subir de divisão perfeitamente alcançável. Fomos goleados e essa derrota deu, literalmente, cabo da “moral” da equipa. Já nos últimos quatro jogos, conseguimos três vitórias e os jogadores ficaram cientes da sua qualidade.
Falta de pavilhão
condicionou
SO - Até que ponto o facto de, a partir de finais de Fevereiro, não ter podido treinar e jogar no Pavilhão de Santa Cruz afectou o rendimento da equipa?
MF - Essa foi outra situação que explica a descida do rendimento da equipa. Uma coisa é treinar no Pavilhão de Santa Cruz, outra é treinar às quartas no Caniçal e às sextas no Porto da Cruz. O Porto da Cruz fica, do Caniço, onde residem a maioria dos jogadores, a 25Km. Uma despesa acrescida que foi suportada pelos próprios.
Para além das derrotas, os jogadores que raramente faltavam aos treinos, começaram a faltar pelo menos uma vez por semana, o mínimo para serem convocados. Foi uma situação difícil de gerir.
«Fui insultado!»
SO - Foi muito crítico, sobretudo na época passada, da prestação das equipas de arbitragem. Sentiu esta época evolução no sector, ou nem por isso?
MF - Quando critiquei a arbitragem fui insultado pelo responsável da arbitragem da Madeira, o que achei, na altura, lamentável. Alguns árbitros incompetentes também ficaram ofendidos com as minhas palavras, sem nunca terem dedicado um minuto a pensar se teria razão.
Simplesmente, ninguém pode criticar a arbitragem porque depois é alvo de discriminação e perseguição. Isso infelizmente ainda acontece.
Mais. Este ano, filmamos pelo menos seis jogos do Juventude de Gaula e em todos eles fomos prejudicados. Todos. As gravações demonstram isso e estão disponíveis para serem visualizadas pelos responsáveis da arbitragem, são penaltis, faltas absurdas, expulsões de "bradar aos céus". O nome da equipa ainda mexe muito com a prestação dos árbitros.
O que aconteceu este ano em relação ao ano passado foi uma mudança de postura, ou seja, pura e simplesmente a equipa técnica tentou não falar com as equipas de arbitragem, pois é um grupo muito específico que num instante destrói o trabalho de uma época.
Penso que a arbitragem não está a seguir a evolução necessária, mas espero que os árbitros aceitem esta crítica de bom grado. Fica contudo, uma palavra de apreço a todos os árbitros que de facto têm evoluído, ajudando a modalidade a evoluir também.
Curral foi justo campeão
SO - Curral das Freiras e Académico foram as duas equipas que garantiram o acesso à I Divisão Regional. Na sua opinião, foram de facto as duas melhores equipas do campeonato?
MF - O Curral foi um justo campeão. Tem uma belíssima equipa e um excelente treinador, mas ainda assim tiveram um início tremido. Parabéns pela época que fizeram.
Quanto ao Académico, foram muito fortes numa determinada altura da época e isso deu-lhes a vantagem necessária para subirem de divisão. Contudo, penso que se não se reforçarem, não vão conseguir manter-se na primeira divisão, pois uma equipa que não treina, acaba por pagar a factura dessa falta de rotina e trabalho. Têm muitos miúdos com valor inquestionável, mas a filosofia desportiva terá de ser alterada.