2011-03-09
O treinador Vice-campeão Regional da II Divisão, ao comando da equipa de juniores do CS Juv. Gaula, traça um balanço positivo à época 10-11, realçando que «todos os objectivos colectivos foram alcançados». O técnico que mais títulos conquistou no futebol jovem, ao serviço do Gaula, analisa também o projecto de formação do clube, regojizando-se pelo facto de «o plantel sénior ser constituído, maioritariamente, por jogadores, que fizeram o seu percurso de formação no clube, e com os quais tive a felicidade de trabalhar».
Sítio Oficial (SO) – Catorze jogos, oito vitórias, dois empates, quatro derrotas, vinte e nove pontos, segundo lugar. Que balanço faz da equipa de juniores e do campeonato em geral?
Sidónio Gouveia(SG) – O balanço é claramente positivo pois, os objectivos colectivos foram alcançados. Para uma equipa que acusava uma enorme inexperiência competitiva, o segundo lugar alcançado foi um prémio para a dedicação, empenho e trabalho deste grupo de jogadores.
Não foi fácil fazer crescer uma equipa tão imatura e dar-lhe níveis competitivos aceitáveis. O que faltava a este grupo de atletas em experiência (75% do plantel jogou futebol de 11 pela primeira vez nesta época), sobrava em vontade de aprender e de melhorar diariamente. Deste modo, foi possível potenciar todas as suas capacidades e fazê-los apresentarem-se com níveis técnico-tácticos capazes de superar os adversários. Quando assim é, o treinador termina o campeonato com a sensação de dever cumprido, e com o orgulho de ter trabalho com um grupo de atletas fantásticos, que servirão de exemplo para outras gerações.
SO – Já algum tempo que trabalha com os juniores, tanto na I como na II Divisão Regional? Que diferenças destaca de uma divisão para a outra?
SG - A grande diferença está na competitividade das equipas. Na I divisão, os jogos são muito mais equilibrados e a incerteza no marcador mantem-se até ao final do encontro. Na II divisão, esse equilíbrio esbate-se um pouco e as equipas melhor preparadas, não têm muitas vezes oposição que lhes cause dificuldades no jogo, e que as obrigues a serem constantemente melhores.
SO – Tendo em conta o trabalho desenvolvido, acha que esta equipa tem condições de se manter na I Divisão Regional, na próxima época desportiva?
SG – Quero acreditar que sim, muito embora, tenha também a consciência que muitos imponderáveis surgem na transição de uma época desportiva. A “cobiça” de outros emblemas, o percurso escolar, a entrada nas universidades e no mundo do trabalho, e outros “apelos” sociais, são os grandes “inimigos” da estabilização de uma equipa de juniores.
«Crise faz "olhar"...
para a formação»
SO – Acha que os clubes, e no caso concreto, o Juventude Gaula, estão a aproveitar bem o trabalho desenvolvido na formação?
SG – Felizmente sim. A actual conjuntura económica assim o obriga. Num tempo de contenção financeira, impõe-se uma gestão racional dos recursos, e assim sendo, os clubes são obrigados a olhar para a sua formação com "outros olhos". Ganham os jovens atletas, que vêem abrirem-se algumas portas anteriormente fechadas pelo sistemático recurso a atletas oriundos de outras paragens. No caso do Juventude de Gaula, é com muito agrado que vejo que o plantel é maioritariamente constituído por jogadores, que fizeram os seu percurso de formação no próprio clube, e com os quais tive a felicidade de trabalhar. Está assim de parabéns toda a estrutura directiva e técnica do clube.
«Não confundo sonhos
... com utopias»
SO – Apesar de ser jovem, é um treinador com vasta experiência no sector da formação. Até onde ambiciona chegar como treinador?
SG – Tento sempre não confundir sonhos com utopias. Procuro traçar metas e objectivos exequíveis. No caso do futebol, essa é uma realidade muito presente, onde os sonhos se confundem com obsessões “desprovidas da realidade” e onde não importa quais os meios para atingir os fins. Como não comungo dessa forma de estar no futebol, o meu objectivo é portanto, continuar a treinar sem ter de “atropelar” ninguém, nem ter de fazer ou submeter-me a “esquemas” ilícitos. Continuar a tirar prazer daquilo que faço e ajudar os meus atletas a serem melhores futebolistas e sobretudo melhores homens.