| A OPINIÃO de...

Coordenador Técnico do Juventude Gaula

 

Uma questão de ética...

2010-06-11

 

O Futebol está em "crise". Contudo, esta crise não se situa exclusivamente ao nível dos recursos financeiros, mas fundamentalmente ao nível dos valores e das atitudes, que em última instância tem implicações ao nível da lei, ou ausência da mesma, promovendo o livre arbítrio.

 

A lei significa "aquilo que liga”. É uma norma ou conjunto de normas jurídicas criadas através dos processos próprios do acto normativo e estabelecidas pelas autoridades competentes para o efeito. Nela está contida a base que norteia a vida da sociedade local, na soma comum de esforços visando o bem-estar social, o progresso e o desenvolvimento de um povo.

 

No caso dos clubes de Futebol, a lei deverá proteger todos sem excepção, sendo que os mais pequenos em nome do bem-estar social, do progresso e do desenvolvimento de um povo deveriam ser igualmente protegidos.

 

O art.º. 28, do contracto colectivo do trabalho desportivo, assume que os clubes têm direito a uma indemnização a título de compensação pela formação ou promoção dos jogadores. Contudo esta compensação só poderá ser considerada válida se os atletas tiverem uma idade igual ou superior a 14 anos, uma vez que até aí os jogadores podem circular livremente pelos clubes que pretenderem.

 

Todavia, este último pormenor pode fazer toda a diferença, se por um lado é verdade que os clubes até aqui, uma vez que detinham todos os direitos de formação dos jogadores, muitas das vezes inadvertidamente retiam-nos no clube contra a sua própria vontade, prejudicando gravemente o desenvolvimento desportivo dos jogadores. Por outro lado também é verdade que esta lei prejudica os clubes, fundamentalmente os mais pequenos, que pelas suas vicissitudes de condição minoritária, vêem sair para os clubes mais poderosos as suas pérolas mais preciosas, capazes de alavancar toda a formação e desenvolvimento do mesmo.

 

Pensamos ser necessário rever este modelo de formação, que dá azo a que os mais afoitos, utilizem estratégias absolutamente condenáveis, só comparáveis ao execrável acto criminoso do trafego de menores, de ir buscar os melhores atletas aos clubes mais pequenos, sem pagar um tostão, em nome do rendimento imediato e em função de uma campeonite interna” a dois ou três, destrói-se tudo aquilo que é a formação, com implicações a curto, médio e longo prazo na vida dos clubes.

 

Também é sabido que, muitos desses jogadores, ou por razões de inadaptação, ou por falta de oportunidades, não conseguem mostrar as suas capacidades nos grandes clubes, o que leva a que os mesmos desmotivem e muitos, simplesmente, vão acabar por desistir do futebol, com as implicações que isso tem para a modalidade. 

 

A verdade é que, os clubes também têm que se adaptar às novas regras do mercado, não da forma menos correcta, ou seja, vendendo falsas promessas que não conseguem cumprir, mas fundamentalmente investindo na questão social, investindo nas relações de proximidade, ou seja na individualização dos processos, na manutenção da qualidade de trabalho, no relacionamento interpessoal, na diversificação das actividades, no acompanhamento e apoio escolar dos atletas, outros…

 

Pensamos ser um desígnio, repensar esta estratégia a nível regional, uma vez que esta medida também vai enfraquecer os respectivos campeonatos de Escolas e Infantis, tornando-os cada vez mais fracos, desmotivantes, levando ao afastamento dos atletas dos jogos. Resultados de 30-0 são inadmissíveis, e prejudicam todos, mesmo os que ganham…

 

Nós no Juventude de Gaula, que vemos sair do clube jogadores que poderiam fazer a diferença no futuro, entristece-nos, sem que pelos factos supracitados possamos fazer alguma coisa, resta-nos apenas desejar-lhes boa sorte, agradecer-lhes o facto de terem podido aprender connosco, e dizer-lhes, que as portas estarão sempre abertas e disponíveis para aqueles que sempre tiveram um conduta correcta com o clube.

   PARABÉNS SÉNIO

Novo NOTAS DO PRESIDENTE 

Sinais Ortográficos

Não se assustem, não vou falar do novo acordo ortográfico mas sim da Formação.

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